9.28.2006

Festa do Cinema Francês

Foi divulgado esta semana o programa da 7ª edição da Festa do Cinema Francês. Especial atenção aos seguintes títulos:
1. Flandres de Bruno Dumont realizador de L'Humanité (1999) e Twentynine Palms (2003). No seu quarto filme, Bruno Dumont volta ao seu tema de eleição: "o animal que há no Homem". O estilo é simultaneamente minimalista e brutal, onde longos momentos de silêncio e introspecção são estilhaçados por súbitas explosões de violência. Destaque para o uso expressivo que Dumont faz das paisagens, um pouco à maneira das "paisagens interiores" de Antonioni, onde o mundo exterior reflecte o estado de alma dos personagens. Trailer de Flandres aqui.
2. La Raison du Plus Faible de Lucas Belvaux. Depois da excelente trilogia de 2002 constituida pelos filmes Un Couple Épatant/Um Casal Encontador; Cavale/Em fuga; Après la Vie/Depois da Vida, Lucas Belveaux volta ao seu trabalho de amor pelo filme de Género (a Trilogia era constituida por um Policial, uma Comédia e um Melodrama onde as personagens principais de um filme eram as personagens secundárias de outro). Neste La Raison du Plus Faible, Belvaux no seu estilo seco e económico, traz-nos um Policial social, já descrito como um cruzamento entre Michale Mann e Ken Loach.
3.Les Anges Exterminateurs de Jean-Claude Brisseau. Após Choses Secrètes Brisseau continua a explorar o erotismo enquanto associado à manipulação e à crueldade. Trailer aqui.
4. Vers le Sud de Laurent Cantet, realizador dos espêndidos Ressources Humaines/Recursos Humanos (1999) e L'Emploi do Temps/O Emprego do Tempo (2001). Tendo como ponto de partida o turismo sexual (um grupo de turistas americanas parte para o Haiti dos anos 70 em procura de negros jovens e belos), Laurent Cantet desloca o seu ponto de vista para a questão da Miséria: social e económica dos locais e sexual e moral das turistas.
Destaque ainda para 3 primeiras obras Ils de David Moreau e XavierPalud, Le Passager do actor Eric Caravaca e 13-Tzameti do georgiano Bela Babluani. Trailer de 13-Tzameti aqui.
Das inúmeras comédias presentes no programa chegam especialmente bem referênciados duas delas: Changement d'Adresse de Emmanuel Mouret (comédia sobre a obstinação amorosa, num território próximo de Eric Rohmer e Woody Allen) e Palais Royal! de Valérie Lemercier, sátira aos hábitos e costumes da Realeza Europeia em tom de Slapstick, assente em diálogos rápidos e debitados incessantemente (fazendo lembrar o Hawks de His Girl Friday).

9.26.2006

Novos Discos: The Veils-Nux Vomica

Nux Vomica é o segundo album de originais dos The Veils, depois de Runaway Found de 2004. Apesar da sua curta existência os The Veils já tiveram várias formações, tendo-se mantido apenas o vocalista e mentor do projecto Finn Andrews. Tal como já vinha acontecendo com o primeiro album, voltam a estar presentes as influências de melhor Indie-Pop dos anos 80 (Echo and The Bunnymen, Joy Division, The Smiths). Nux Vomica apresenta perspectivas de vir a ser um album com bom acolhimento comercial, tendo vários temas marcadamente radio-friendly, como por exemplo Advice for Young Mothers to Be (video em baixo) ou este One Night on Earth:
Aliás já no anterior isso acontecia, mas aparentemente os únicos a reparar foram os publicitários. Foi de Runaway Found que saiu esta música.

Video: The Veils, Advice for Young Mothers to Be (para a Carla)

Novos Discos: Emily Haines- Knives Don't Have Your Back

Knives Don't Have Your Back é o segundo album da canadiana Emily Haines, vocalista dos Metric e dos Broken Social Scene.

Video: Doctor Blind

9.25.2006

Café Lumière: Hou Hsiao-Hsien na Cinemateca

Passa hoje às 21h30m e repete 4ª às 22h00m o filme Café Lumière de Hou Hsiao-Hsien. Trata-se de um dos mais importantes cineastas da actualidade, infelizmente muito pouco exibido em Portugal. O único dos seus filmes a estrear comercialmente em Portugal foi Tempo de Viver, Tempo de Morrer de 1985. Flowers of Shangai de 1998 também passou num ciclo da Culturgest programado por Augusto Seabra aqui há uns anos. Fora do circuito de exibição ficaram filmes tão importantes como City of Sadness de 1989, The Pupetmaster de 1993 ou Millenium Mambo de 2001.
Café Lumière é o penúltimo filme de Hou Hsiao-Hsien (depois dele já estreou Three Times) e é uma homenagem ao grande mestre Japonês Yasujiro Ozu.
Café Lumière faz parte do ciclo Novo Cinema do Sol Nascente e é pena que o resto do ciclo fosse maioritariamente constituido por filmes já estreados em Portugal. Num ciclo com um titulo destes lamenta-se a ausência de nomes como Edward Yang, Stanley Kwan, Ann Hui, Johnnie To, Shinya Tsukamoto, Kiyoshi Kurosawa, Seijun Suzuki, Shinji Aoyama, Sabu ou Apichatpong Weerasethakul.

9.24.2006

Charlotte Gainsbourg: 5.55

Em 1986, com apenas 15 anos, Charlotte Gainsbourg lançava o seu primeiro album pela mão do pai, Serge Gainsbourg. O disco de então chamava-se Charlotte Forever, e continha o single Lemon Incest, que 2 anos antes tinha feito escandalo, devido ao facto do seu videoclip mostar Serge e Charlotte a rebolarem-se languidamente numa cama. A letra da canção era tão sugestiva como o vídeo e a música era um arranjo de um tema de Chopin, à maneira dos anos 80, com sintetizadores por tudo quanto é lado. Pode-se ver o video em baixo, a título de curiosidade.
Vinte anos depois, surge um novo (e muito bom) disco de Charlotte Gainsbourg: 5.55. Está novamente bem acompanhada, desta vez as letras são de Jarvis Cocker (Pulp) e Niel Hannon (Divine Comedy) e a música é dos Air. A temática das letras é a Noite: a insónia, a sonolência, as criaturas da noite, o amanhecer. Consta que Hannon e Cocker chegaram a ver Night of the Hunter /A Sombra do Caçador de Charles Laughton para ganharem inspiração.
Mais conhecida pelo seu trabalho como actriz, Charlotte Gainsbourg entrou em 21 Gramas de Alejandro González Iñarritu e aguarda-se a estreia dos seus 2 mais recentes filmes, Nuovomundo de Emanuele Crialese e La Science des Rêves de Michel Gondry. Encontra-se neste momento a filmar o próximo filme de Todd Haynes.
Enquanto não se arranja o vídeo do primeiro single The Song That we Sing, pode-se ouvir aqui Jamais:


Serge e Charlotte Gainsbourg: Lemon Incest

9.23.2006

Placebo: Song to Say Goodbye

Placebo outra vez. Agora para algo menos polémico e mais recente. Trata-se do tristíssimo vídeo de Song to Say Goodbye, do mais recente album Meds (2006).

Placebo: Song to Say Goodbye

Placebo: Protege Mois/Protect me From What I Want (video de Gaspar Noé)

Certa noite Brian Molko, vocalista dos Placebo, encontra Gaspar Noé (realizador dos filmes Seul Contre Tous e Irréversible) numa festa. Molko diz a Noé que tinha gostado muito de Irréversible e que gostaria que ele realizasse um video para os Placebo. Gaspar Nóe de forma provocatória responde que não gosta de videoclips e que não estava minimamente interessado. Molko insiste e Gaspar Nóe para ver se o outro o deixa em paz, diz que aceita se puder fimar uma orgia. O resultado é o video Protege Moi, versão francesa da canção Protect me From What I Want do albúm de 2003 Sleeping With Ghosts. Devido ao seu conteúdo sexualmente explícito, o video acabou por não ser visto practimente em lado nenhum, tendo as televisões recusado-se a exibi-lo.
Polémica à parte, o vídeo revela-se perfeitamente adaptado à canção e à ambiguidade sexual da voz de Brian Molko. O estilo de Gaspar Noé é reconhecivel desde a legenda inicial e estão lá quase todas as suas imagens de marca: o culto do plano sequência (o video tem só um plano), as luzes estroboscópicas, as imagens no limite do visível, a inexistência de fronteiras entre a pornografia e a arte, o vermelho ultra-saturado, a pulsão sexual.

Placebo: Protege Moi/Protect me From What I Want (Dir. Gaspar Noé)

Sven Nykvist (1922-2006)

Morreu esta semana o Director de Fotografia sueco Sven Nykvist, sobretudo conhecido pelo seu trabalho com Ingmar Bergman, com quem colaborou pela primeira vez 1960 em A Fonte da Virgem. A partir daí filmou regularmente com Ingmar Bergman durante cerca de 25 anos, tendo sido Director de Fotografia de filmes como Luz de Inverno/Nattvardsgästerna (1962); O Silêncio/Tystnaden (1963); Persona (1966); En Passion (1969); Lágrimas e Suspiros/Viskningar och rop (1972), filme pelo qual recebeu um Oscar; Face a Face/Ansikte mot ansikte (1976); Sonata de Outono/Höstsonaten (1978) e Fanny e Alexander (1982) com o qual recebeu o seu 2º oscar. A partir dos anos 70 internacionalizou-se e trabalhou intensamente na Europa e nos Estados Unidos, sendo de destacar o seu trabalho em filmes de Roman Polanski (The Tenant de 1976); Louis Malle (Pretty Baby de 1978); Andrei Tarkovsky (Sacrifício/Offret de 1986); Phillip Kaufman (A Insustentável Leveza do Ser/The Unbearable Lightness of Being de 1988) e Woody Allen (Uma Outra Mulher de 1988, Crimes e Escapadelas de 1989 e Celebridade/Celebrity de 1998).
Foi mestre do Preto e Branco e da Cor. Com Nestor Almendros foi o grande percursor do uso da luz natural. Foi igualmente pioneiro no uso de uma iluminação suave e difusa, por oposição à iluminação directa e dura que foi a técnica dominante em todo o Cinema Clássico e até aos princípio dos anos 70.

Lágrimas e Suspiros/Viskningar och rop (1972)




Persona (1966)

9.22.2006

Cover Art#3: Dresden Dolls (Ghost in You)

Dois habitués neste Blog: Dresden Dolls e Psychedelic Furs. Neste caso temos uma versão de Ghost in You, música do albúm Mirror Moves editado pelos Psychedelic Furs em 1984. Os Dresden Dolls têm por hábito tocar ao vivo (normalmente a abrir ou a fechar os concertos) versões de músicas de outros. São conhecidas versões de Life on Mars de David Bowie, Eisbär dos Grauzone, Symphatique dos Pink Martini, War Pigs dos Black Sabbath, Dance me to the end of Love de Leonard Cohen, Amsterdam de Jacques Brel ou até de Hit me Baby one More Time de Britney Spears!!

Dresden Dolls: Ghost in You (cover de Psychedelic Furs)

The Killers (All These Things That I've Done) e The Pipettes (Pull Shapes). Russ Meyer andou por aqui.

Dois videos de dois grupos com estilos bem distintos: The Killers com All These Things That I'ce Done e The Pipettes com Pull Shapes. No primeiro caso a Pop-Rock de influências New-Wave e Post-Punk e no segundo uma Pop Revivalista com influências nos grupos All-Girl dos anos 60 (The Ronettes, The Shirelles, The Shangri-las, etc.).

The Killers: All These Things That I've Done (2ª versão, realizada por Anton Corbijn)


The Pipettes: Pull Shapes (dir. Ben Foleyo)


Em ambos os videos paira a sombra de Russ Meyer. O clip de All These Things That I've Done, é uma homenagem aos filmes da triologia de 1965 Mudhoney; Faster, Pussycat, Kill!Kill! e Motor Psycho. O video de Pull Shapes é uma reprodução fiel de uma cena de Beyond the Valley of the Dolls (1970).
Em baixo 2 clips de filmes de Russ Meyer Faster, Pussycat, Kill!Kill! e Beyond the Valley of Dolls. Estão lá todos os ingredientes que caracterizam a obra do realizador: a violência gratuita, a languidez exacerbada, as mulheres de constituição robusta e peito avultado e o kitsch delirante.

Faster, Pussycat, Kill! Kill! (Excerto), Russ Meyer, 1965


Beyond the Valley of the Dolls (Trailer), Russ Meyer, 1970


9.20.2006

Audrey Hepburn cantando Moon River no filme Breakfast At Tiffany's

Excerto do filme Breakfast at Tiffany's de Blake Edwards (1961), no qual Audrey Hepburn interpreta a canção Moon River ( música de Henry Mancini e letra de Johnny Mercer) empoleirada num beiral de janela. O filme é dos melhores exemplos do estilo de Blake Edwards, oscilando graciosamente entre o burlesco clássico e a comédia sofisticada, muitas vezes no mesmo filme (veja-se a convivência entre Audrey Hepburn e a personagem de Mickey Rooney neste filme ou a dinâmica entre Peter Sellers e David Niven nos filmes da Pantera Cor de Rosa).

Audrey Hepburn: Moon River

REM: Nightswimming (versão longa)

Uma pequena incursão nos anos 90, com a versão longa do video Nightswimming (do album Automatic for the People). Trata-se de uma versão pouco vista de um dos melhores videos dos REM. Foi realizado (tal como a versão curta) pelo documentarista Jem Cohen, e foi filmado maioritariamente em formato Super 8.

REM: Nightswimming

My Darling Clementine (John Ford, 1946). Sequência de Dança

Tendo em conta que eu gosto de música e de cinema, como não podia deixar de ser um dos meus géneros favoritos é o Músical.
Para além disso gosto particularmente de sequências de Dança em filmes que não são musicais propriamente ditos. E gosto não pelo simples facto de haver música e dança, mas pelas possibilidades narrativas e dramáticas que possibilita. Uma sequência de dança bem filmada, permite veicular uma imensa quantidade de informação não verbal: relações entre pessoas, intenções de personagens, hierarquia social, características psicologicas e morais, etc.
Ao longo da história do cinema, são inúmeros os casos onde uma sequência de dança ocupa um ponto estratégico num filme (sem falar nos Musicais). Dois exemplos: o baile em O Leopardo de Visconti, a sequência do Baile de Casamento em O Caçador de Michael Cimino.
Também neste aspecto John Ford é um nome incontornável. São frequentes as cenas de Dança ou Baile nos seus filmes e muita vezes são pontos fulcrais na estrutura dos mesmos. Em baixo um exemplo da arte de John Ford: a sequência de dança de My Darling Clementine.

Dresden Dolls: Sing

Os Dresden Dolls são um dueto de Boston, constituido por Amanda Palmar (vocalista, performer, pianista, compositora e letrista) e Brian Viglione (bateria e guitarra). Fazem uma música cujas influências vão desde Kurt Weill e Marlene Dietrich, passando pelo Punk dos anos 70/80 e pela Indie Pop de PJ Harvey ou Tori Amos. Têm um estilo de actuação burlesco e teatral, que faz com que os seus espectáculos se pareçam mais com uma performace de cabaret do que com um concerto propriamente dito.
A música que se pode ouvir no video é Sing do segundo album da banda Yes, Virgínia já de 2006.

Dresden Dolls: Sing


9.15.2006

Gummo (um filme de Harmony Korine)

Na sequência do Post anterior do video Living Proof, não resisti a colocar aqui um Clip do filme mais emblemático de Harmony Korine: Gummo de 1997. É um dos melhores filmes dos anos 90, de um realizador com uma visão e um universo absolutamente únicos.

Cat Power: Living Proof

Do album The Greatest lançado já este ano. Uma grande voz e um bizarríssimo vídeo realizado por Harmony Korine (realizador dos não menos bizarros filmes Gummo de 1997 e Julien Donkey-Boy de 1999), no qual Chan Marshall (nome oficial de Cat Power) corre numa pista de atletismo vestida de latex vermelho e carregando uma cruz branca, sendo acompanhada pessoas vestindo Burkas!!??!!

Cat Power: Living Proof

9.14.2006

Estreia: Dumplings (Preciosa Iguaria) de Fruit Chan

Estreia hoje o filme Dumplings (com o título português Preciosa Iguaria) de Fruit Chan. Excelente filme de terror (de incidência culinária) de um dos mais importantes realizadores do cinema actual de Hong-Kong. Este filme foi inicialmente concebido como uma curta-metragem de 30 min., sendo parte integrante do filme 3 Extremes, filme que compilava 3 curtas de horror Oriental. Os outros 2 segmentos eram realizados Park Chan-Wook (realizador Coreano de Old Boy e Sympathy for Lady Vengeance) e Takashi Miike (realizador Japonês de Ichi the Killer ou Audition). Fruit Chan na altura não ficou satisfeito com a montagem de 30 minutos que fez para 3 Extremes e resolveu remontar o filme para uma versão longa de 90 minutos. É essa versão que chega agora às salas.
Visualmente elegantíssimo, Dumplings é uma metáfora sobre o medo do envelhecimento e a procura da beleza eterna a todo e qualquer custo.
Outros filmes anteriores de Fruit Chan: Public Toilet de 2002; Durian Durian de 2000; Made in Hong Kong de 1997.


Dumplings (Fruit Chan) 2004

9.13.2006

Pop Galego: DeLuxe

A banda Galega Deluxe não é propriamente desconhecida em Portugal, uma vez que fez as primeiras partes de alguns concertos dos The Gift. Ao longo de toda a sua carreira (desde 2001) editaram sobretudo em Inglês, mas em 2005 saiu o seu primeiro trabalho exclusivamente em castelhano: Los Jóvenes Mueren Antes de Tiempo (pode-se escutar a seguir a faixa que dá título ao album).



Tal como os Bright Eyes dos Posts anteriores, esta também é uma banda de um homem só. Os Deluxe são Xoel López. Mais informaçoes no site de Xoel em http://www.xoel.com/index2.htm

O Video que está a seguir é da música I'll See You in London do primeiro album Not What You Had Thought de 2001.

Deluxe - I'll See You In London

Mais uma de Bright Eyes: Lua

Mais um video de Bright Eyes, desta vez Lua (do album I'am wide awake this morning). Como se pode ver é uma banda de um homem só: Connor Oberst, precoce cantor/compositor, nascido em 1980, editou o primeiro album em 1994 com 14 anos!! I'am wide awake this morning é 6º albúm editado sob o nome Bright Eyes (foi lançado em 2005 em simultâneo com o album gémeo Digital Ash in a Digital Urn)


Bright Eyes: Lua

9.12.2006

Bright Eyes: At the Bottom of Everything

Era para pôr aqui o video (magnífico!) de When The Deal Goes Down do Bob Dylan com a Scarlett Johansson. Mas como de repente esse video apareceu em tudo quanto é Blog e Canal de TV, resolvi desitir. Em seu lugar fica este At the Bottom of Everything:





Não está lá a Scarlett Johansson, mas estão a Evan Rachel Wood e o Terence Stamp. Também não é do Bob Dylan, é dos Bright Eyes (album I’m Wide Awake, It’s Morning). Por mim não se perdeu nada.

Nota: O video inclui um comentário audio que faz parte da própria música, não é nenhum engano. A música começa aos 1'20''.

Cover Art#2: Faye Wong

No Ocidente é sobretudo conhecida pela sua participação nos filmes Chungking Express e 2046 ambos de Wong Kar-Wai. No Oriente é uma mega estrela Pop, capaz de encher estádios e vender milhões de discos. É a mais popular figura da chamada Cantonese Pop, que embora assim chamada, inclui não só canções em cantonês, mas também em mandarim e até inglês. É frequente existirem mesmo versões bilingues Cantonês/Mandarim da mesma música. Apesar de cantar sobretudo originais, Faye Wong gravou versões em cantonês de temas dos Cranberries (Dream Lover versão cantonesa de Dreams incluida na banda sonora de Chungking Express-video em baixo), dos Cocteau Twins (Random Thoughts cover de Bluebeard-audio em baixo-também incluida na banda sonora de Chungking Express e Reminescence versão cantonesa de Rilkean Heart-audio em baixo) e de Tori Amos (Cold War cover cantonês de Silent All These Years-audio em baixo). Os Cocteau Twins gostaram de tal forma das versões de Faye Wong, que esta acabou por participar na edição Oriental do album Milk and Kisses, fazendo dueto com Elizabeth Fraser no tema Serpentskirt.

Faye Wong: Random Thoughts (cover de Bluebeard dos Cocteuau Twins)

Faye Wong: Reminescence (cover de Rilkean Heart dos Cocteau Twins)

Faye Wong: Cold War (cover de Silent All These Years de Tori Amos)


Faye Wong em Chungking Express. Música: Dream Lover (aka Dreams)

Psycho: Ao ar livre numa noite de vento frio e Lua Cheia


Psycho de Alfred Hitchcock passou no passado Sábado na Cinemateca na sessão da Esplanada. O ambiente era o ideal para se assistir a um clássico de terror: Lua Cheia e um ventinho frio a exponenciar os arrepios ( e a ondular a tela ocasionalmente). Já o vira várias vezes mas não deixo de sentir o tapete a fugir debaixo dos pés quando Hitchcock faz morrer, ao fim de 30 minutos, a personagem com a qual nos identificaramos desde o início. Nem deixo de olhar sobre o ombro ao entrar para o duche no dia seguinte.
Não sendo o melhor filme de Hitchcock (julgo que Notorious de 1946, Under Capricorn de 1949, Vertigo de 1958, North By NorthWest de 1959 ou The Birds de 1963 lhe são superiores), nem o mais pertubador (é-o menos do que os Os Pássaros/The Birds ou mesmo do que Frenzy de 1972), Psycho não deixa de ser marcante enquanto obra de arte e enquanto fonte de iconografia popular: estão lá o genérico de Saul Bass, a música de Bernard Herrmnan, o "Bates Motel" e mais a casa da "Mãe", para além da infâme cena do duche.

A titulo de curiosidade, fica um clip com a cena do duche de Psycho em 2 versões: com e sem a música de Bernard Herrman. Com música é mais assustadora, sem música é mais angustiante ( os gemidos, as facadas, a água, os passos são mais presentes e os silêncios fazem com que pareça mais longa).


9.08.2006

Cover Art#1: Handle With Care

Sempre gostei de cover's. Admito que a palavra ganhou má fama e está normalmente associada a bandas de garagem (com falta de talento para escrever originais) ou cantores de bar de hotel. A reinterpretação ou reinvenção de um tema clássico é um conceito largamente dominante no Teatro, na Opera ou no Jazz. Gosto quando isso acontece também na música Pop. Eis então o primeiro de alguns exemplos de Covers de temas clássicos. Trata-se de Handle With Care, reinterpretação de Jenny Lewis with The Watson Twins (com a participação de Conor Oberst dos Bright Eyes) do clássico dos Traveling Wilburys (mega grupo de Bob Dylan, George Harrison, Tom Petty e Roy Orbison). Esta versão faz parte do album Rabbit Fur Coat de 2006.

Associação de Ideias: Love Spit Love

É curioso como a memória funciona por associação de ideias. Se não fosse o Post que coloquei sobre os Psychedelic Furs, julgo que tão cedo (ou quem sabe nunca mais) não me ia lembrar da existencia dos Love Spit Love. Esta banda foi um projecto paralelo de Richard Butler, o vocalista dos Furs, e dela sairam 2 albuns que passarem algo desbercebidos durante os anos 90: Love Spit Love em 1994 e Trysome Eatone em 1997. Apesar de algo falhados, havia aqui algumas boas canções, como por exemplo Wake Up, do primeiro album da banda.

9.06.2006

Jacques Becker na Cinemateca


Sauda-se o ciclo Jacques Becker porque a Cinemateca não é só para ver os clássicos já consagrados (Hitchcock, Ford, Dreyer, Lang e por aí fora tem lugar assegurado mês após mês) . Deve também permitir descobrir autores menos conhecidos ainda que não menos importantes, como é o caso.
Jacques Becker será a ligação possível entre Jean Renoir e Jean-Pierre Melville e é um dos maiores realizadores franceses pré Nouvelle Vague. Fotos do filme Goupi Mains Rouges de 1943.

Regina Spektor

Para cortar um pouco com o revivalismo reinante nos Posts anteriores eis algo mais recente. Chama-se Regina Spektor e editou há pouco tempo o 2º album Begin to Hope. Embora o estilo não seja completamente original (género Tori Amos ou Fiona Apple) as canções são boas e os vídeos são excelentes e muito cuidados. Aqui os videos de Fidelity e On the radio.








80's: The Psychedelic Furs

Depois de escrever o Post dos Echo and the Bunnymen lembrei-me como tinha saudades dos Psychedelic Furs (e de Richard Butler, vocalista de voz inconfundível, algures entre David Bowie, Johnny Lyndon e Shane MacGowan). Eis o video de Pretty in Pink, canção de 1981 do album Talk Talk Talk, mas imortalizada pelo filme de 1986 com o mesmo nome. E aproveita-se para recordar o imaginário dos filmes de John Hughes, cronista maior do universo "adolescente nerd" .

Pretty in Pink - Psychedelic Furs

Pet Sounds (The Beach Boys) --40 anos


Beach Boys - Sloop John B

Está aí a edição comemorativa dos 40 anos do histórico Pet Sounds dos Beach Boys. Para comprovar como Brian Wilson foi um dos mais brilhantes escritores de canções de sempre.

9.05.2006

Mais Echo and the Bunymen

Mais Echo and the Bunymen.

Echo & the Bunnymen: More Songs to Learn and Sing

Echo & the Bunnymen -- Bring on the Dancing Horses


Para os saudosistas da boa música dos anos 80, está ai a chegar um Best Off dos Echo and the Bunnyman. Chama-se Very Best of Echo & The Bunnymen: More Songs to Learn & Sing no seguimento da compilação de 1985 intitulada precisamente Songs to Learn and Sing. Nas bancas a 11 de Setembro. A compilação não dispensa a audição dos albuns fundamentais como Crocodiles, Ocean Rain ou Siberia. O video é um original dos anos 80 de uma das minhas músicas favoritas do grupo.

stars in my crown


Stars in My Crown é um filme de Jacques Tourneur de 1950 e dá titulo a este blogue. É um dos meus filmes favoritos de um dos meus realizadores favoritos e é um western sem tiros (não que eu tenha nada contra tiros nos Westerns mas é só uma curiosidade).